O café vai muito além de uma simples bebida: ele é um elemento essencial da cultura, do cotidiano e da identidade de diversas nações.
O ranking dos cafés mais famosos do mundo, divulgado pelo TasteAtlas, reuniu os estilos de preparo que mais se destacam globalmente, não apenas pelo sabor, mas pela tradição, identidade cultural e originalidade.
Para quem não conhece, o TasteAtlas é um respeitado guia online de gastronomia mundial, conhecido por mapear e classificar pratos, ingredientes e bebidas típicas de diversas regiões, com base em avaliações de especialistas, dados culturais e a opinião de milhares de usuários.
Nesta seleção, a plataforma destacou os cafés que carregam mais do que cafeína: eles representam rituais, histórias e sabores marcantes. Do café cubano intenso ao espresso italiano clássico, cada xícara é uma expressão da cultura onde foi criada. E o Brasil? Apesar de ser o maior produtor mundial, ficou de fora do ranking principal, mas a explicação está logo mais adiante.

Principais Destaques
- O café é uma expressão cultural com forte identidade regional.
- Os métodos de preparo variam amplamente e influenciam sabor e textura.
- Cada estilo possui história, significado social e ingredientes únicos.
- Alguns cafés são reconhecidos como património cultural, como o café turco.
- As variações refletem hábitos locais, preferências e clima.
Os Cafés Mais Celebrados do Mundo
1. Café Cubano – Cuba
Força, doçura e identidade
O café cubano é um expresso curto, adoçado ainda durante a remoção com açúcar demerara, o que resulta em uma espuma densa chamada espuma . Ele faz parte do cotidiano social em Cuba, sendo servido após refeições ou durante conversas.
Sua popularidade se estende à Flórida, especialmente em Miami, onde a comunidade cubana mantém viva essa tradição.
2. Café Filtrado Indiano – Sul da Índia
Aroma forte e ritual tradicional
Conhecido localmente como filtro kaapi , o café filtrado indiano é feito com grãos Robusta, leite e açúcar. É preparado em filtros metálicos compostos por duas câmaras, permitindo uma infusão lenta que preserva o sabor.
O café é servido em copos de aço inox com um pires largo, onde a bebida é aerada de um recipiente para o outro antes de ser consumida.
3. Expresso Freddo – Grécia
Refrescância com alma italiana
O expresso freddo combina o método italiano de proteção com o clima quente da Grécia. O café é preparado como um expresso duplo e misturado vigorosamente com gelo até ficar cremoso e suave.
É coberto e servido com mais gelo, sendo ideal para os dias quentes do verão mediterrâneo.
4. Cappuccino – Itália
Elegância e equilíbrio em cada gol
Um clássico italiano que combina café expresso, leite vaporizado e uma camada generosa de espuma de leite. Na Itália, ele é consumido tradicionalmente no café da manhã, muitas vezes acompanhado por um cornetto .
O cappuccino tem origem no século XVIII, inspirado no cor dos mantos dos monges capuchinhos, o que explica o seu nome.
5. Ristretto – Itália
Pequeno no tamanho, enorme no sabor
O ristretto é uma das mais técnicas do espresso, feito com a mesma quantidade de café moído, mas metade da água. Seu sabor é mais doce, menos amargo e extremamente intenso.
É a escolha ideal para quem valoriza potência e pureza no café.
6. Café Gelado Vietnamita – Vietnã
Doçura condensada com tradição local
Chamado de cà phê sữa đá , esse café gelado é feito com grãos Robusta forte e leite condensado. É preparado com um filtro metálico tradicional chamado phin , que permite uma absorção lenta.
Depois, o café é despejado sobre o gelo e misturado ao leite. Há também a versão sem leite, conhecida como cà phê đá .
7. Freddo Cappuccino – Grécia
O cappuccino que se veste para o verão
Uma variação moderna e gelada do cappuccino tradicional, o freddo cappuccino combina espresso batido com gelo e leite espumado frio. É servido em copo alto, com uma divisão clara entre café e espuma de leite.
Popular entre os jovens gregos, tornou-se uma das bebidas mais consumidas no verão europeu.
8. Espresso – Itália
O ponto de partida da revolução do café
Base de muitas receitas, o expresso surgiu em Turim no final do século XIX. A remoção sob pressão concentra aromas, textura e cafeína em uma pequena dose. Um bom espresso tem creme denso, sabor incorporado e equilíbrio entre doçura e amargor.
É a bebida essencial das cafeterias italianas, rápida, intensa e elegante.
9. Türk Kahvesi – Turquia
Um patrimônio que vai além do sabor
O café turco é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial. Ele é preparado em um recipiente de cobre chamado cezve , com grãos moídos extremamente finos, água e, opcionalmente, açúcar.
Não é coado, formando uma textura espessa e cremosa. É servido em pequenas xícaras, acompanhado de água e, muitas vezes, doces típicos.
10. Café Frappé – Grécia
Invenção casual que virou símbolo nacional
Criado por acaso em 1957 durante uma feira internacional, o frappé combina café instantâneo, água e gelo. A mistura é batida até formar uma espuma densa. Pode ser consumido com ou sem leite e é servido com três níveis de doçura: sem açúcar, médio ou doce.
Tornou-se uma das bebidas mais emblemáticas da Grécia moderna.
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Os Melhores Cafés Espresso do Mundo
- Feels Good – Espresso (Savigny, Suíça) : Premiado com duas estrelas no Great Taste Awards, combinação de benefícios e corpo.
- Barista Espresso – Mings (Alemanha) : Prêmio Vencedor do Crystal Taste, tem perfil rico e complexo.
- Badilatti Sto Bath (Zuoz, Suíça) : Intenso e aromático, com notas florais e paladar sofisticado.
- Roen Extra Bar (Affi, Itália) : Um espresso encorpado, forte e com final persistente. Expressa o caráter do café italiano.
- Clássico – Illycaffè (Trieste, Itália) : Um blend tradicional com consistência em larga escala. Equilibre sabor e textura com precisão.
Outras Variações Regionais
- Bosanska Kahva (Bósnia) : Versão balcânica do café turco, com ritual próprio e preparo semelhante.
- Caffè Americano (EUA) : Espresso diluído em água quente, criado na Segunda Guerra para adaptar o espresso ao gosto americano.
- Flat White (Austrália/Nova Zelândia) : Espresso com leite vaporizado microespumado, servido em menor quantidade que o cappuccino.
- Café Corretto (Itália) : Espresso com uma dose de licor, geralmente grappa ou sambuca.
- Espresso Romano (Itália) : Espresso servido com uma fatia de limão para acentuar a acidez natural do café.
Tendências e Curiosidades
O consumo de cafés gelados, como o freddo cappuccino e o café vietnamita, cresce em regiões quentes e urbanas. A personalização também domina: os consumidores buscam opções com leites vegetais, misturas exclusivas e métodos manuais como prensa francesa ou pour over.
Alguns países promoveram seus métodos tradicionais como atrativos turísticos e culturais, como ocorre com a Turquia, Vietnã e Índia.
E o Brasil? O Maior Produtor de Café Fora da Lista?
Embora o Brasil não tenha sido selecionado diretamente entre os 10 estilos de café mais famosos do mundo, sua presença é absolutamente essencial na indústria cafeeira global. O país é o maior produtor e exportador de café do mundo , sendo responsável por cerca de um terço da produção mundial .
Mas por que o Brasil não apareceu entre os cafés mais reconhecidos pelo método de preparo?
A resposta está justamente na proposta da lista: ela valoriza formas tradicionais e únicas de preparos ligadas a uma identidade cultural muito específica, como o café turco, o espresso italiano ou o café vietnamita com leite condensado.
No Brasil, o café é tradicionalmente consumido de forma simples: coberto no pano ou em filtros de papel, comumente adoçado e servido em pequenas xícaras.
Esse estilo, apesar de popular e afetivo, não foi institucionalizado internacionalmente como um “método brasileiro” , o que pode justificar sua ausência na lista original.
Ainda assim, os grãos brasileiros estão por trás de muitos dos cafés premiados citados no ranking — inclusive em blends de café expresso de marcas suíças, italianas e alemãs. Ou seja, o Brasil fornece uma base para muitas experiências sensoriais reconhecidas mundialmente, mesmo que sua tradição de preparo ainda não tenha conquistado a mesma projeção cultural.
Hoje, cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro vivem um boom de cafeterias especiais, que valorizam microlotes, métodos artesanais e preparo filtrado com excelência.
Talvez não demore para que o “café brasileiro especial” seja reconhecido não apenas pela qualidade do grão, mas também pelo seu ritual e forma de servir.
Em cada preparação de café está contida uma história. Seja em uma cafeteria moderna de Berlim ou em uma cozinha simples em Istambul, o café conecta pessoas, preserva costumes e desperta sentidos.
A riqueza dessa bebida está na sua diversidade. E é justamente essa variedade que transforma o café em algo universal e, ao mesmo tempo, profundamente regional.